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O porquê da Árvore de Natal!

    Ever green, sapin, tannenbaum, árbol de Navidad,… Chamem-na como for, a árvore de  natal nunca deixou de ser uma das decorações mais atraentes nas comemorações natalinas. Verdejante, apinhada de simpáticas luzinhas, sua vitalidade e variedade constituem o encanto e alegria dos pequenos, não só de idade, mas também de coração.

    Onde quer que vamos neste tempo natalino, sempre encontraremos as mais variadas arvores de Natal. Contudo, será que conhecemos sua verdadeira origem?

    Os bárbaros invadiram a Europa central no longínquo século sétimo. Mais especificamente, no sul da Saxônia habitavam os frisões (entre a atual Bélgica e Weser, em frente à Inglaterra). Suas crenças, todas pagãs, eram muito arraigadas e, às vezes, anteriores à própria vinda do Salvador.

    Certo dia, um monge beneditino de origem anglo-saxônica, tocado pela graça, sentiu o desejo de evangelizar essas inóspitas regiões. Seu nome era Wilfrido de York (634-709). No início da sua missão, instalou-se num lugar onde os habitantes, curiosamente, cultuavam o carvalho, muito frequente por aquelas florestas. Segundo diziam, este era possuído por espíritos, os quais o conservavam verde durante o inverno. E estas mesmas divindades promoviam o retorno da primavera e do verão. Temerosos, os frisões realizavam diversos rituais durante o mês de Dezembro, em torno das gigantescas árvores, afim de que não deixassem de exercer a sua indispensável função.

    São Wilfrido deparou-se com um difícil obstáculo: desmentir essa convicção pagã. Para isso dispôs-se a demonstrar-lhes a falsidade de tal imaginação; reuniu todos aqueles bárbaros com o intuito de cortar um daqueles velhos carvalhos. Ao acertarem os primeiros golpes, irrompeu uma terrível tempestade, deixando-os a todos muito apavorados. O Santo apressou o serviço dos lenhadores e, em meio a cambaleadas, a gigantesca árvore precipitou-se por terra! Um silêncio cortante tomou conta dos presentes e, de súbito, um raio fulminante partiu em pedaços o carvalho, coincidindo com a sua batida no chão. Ao verem o seu mito cair por terra, a desilusão contribuiu para efetuar a conversão daquelas almas.

    Porém, passou-se algo de muito curioso… Havia, a poucos centímetros da carbonizada árvore, um pinheirinho, o qual de modo inacreditável fora conservado intacto no meio de tamanha destruição. Seria isto um sinal? Era o dia 25 de Dezembro. São Wilfrido percebeu nesse fato um simbolismo muito belo: Deus protege a fragilidade e a inocência! Em seu sermão à noite, relacionou poeticamente a imagem da pequenina árvore com a Natividade do Senhor e, desta maneira, o pinheirinho passou a ser, a partir daquele dia, o símbolo do Menino Jesus, mais utilizado.

    Um discípulo deste Santo missionário teve de enfrentar, também, dificuldades semelhantes ao evangelizar a futura Alemanha: tratava-se de São Bonifácio (673- 754). Em Geismar de Hessen, centro muito concorrido de rituais pagãos, cultuava-se um grande carvalho chamado Odin, o qual era consagrado ao deus Donar. Realizavam-se ao seu redor práticas supersticiosas, principalmente na época hibernal, porque atribuíam a esse deus ser responsável pelos terríveis vendavais e tempestades, muito frequentes durante esse período.

     Uma vez convertidos, os germanos foram desassociando o caráter pagão da crença e relacionando a figura da árvore com passagens da Sagrada Escritura, como esta do Profeta Isaías: “A glória do Líbano virá a ti, a faia e o buxo, e juntamente o pinheiro servirão para adornar o lugar do meu santuário” (60, 13). Assim sendo, começou a se divulgar nas imediações da Germânia o uso do pinheiro nas comemorações do nascimento do Senhor.

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     Contudo, qual é o significado das inúmeras esferas, bastões, cones etc. que preenchem as   suas ramagens?

    No decorrer dos séculos, foram se acrescentando bonitos enfeites ao pinheiro. Sua simbologia refere-se à imagem do segundo Adão, Cristo nosso Salvador (cf. 1 Co 15, 21-22, 45), o qual nos trouxe de volta os frutos perdidos pelo nosso primeiro pai, ao ter comido da árvore proibida (cf. Gn 2, 9; 3, 6). Por esta razão, esses belos atavios representam os preciosos e superabundantes frutos nascidos da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeira Árvore da Vida.

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