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As três vindas de Jesus

29 de Dezembro de 2014

    No dia 25 de Dezembro comemoramos uma das principais festas da liturgia, a vinda do

Primeira vinda de Jesus

Redentor ao mundo. Sabemos que Ele veio realmente e foi reclinada numa manjedoura, tendo como companhia sua Mãe, Maria Santíssima ao lado de seu castíssimo esposo, São José. Temos bem presente que Ele ainda há de vir a julgar os vivos e os mortes nos últimos tempos. Além destas duas vindas, existe uma terceira; intermediária entre elas. Eis como nos explica o grande santo mariano, São Bernardo de Claraval:

    “Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermediária. Aquelas são visíveis, mas esta, não. Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que viram-no e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá a salvação de Deus (Lc 3,6) e olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10). A vinda intermediária é oculta e nela somente os eleitos o vêem em si mesmo e recebem a salvação. Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente manifestando o poder de sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória.

    “Esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira à última; na primeira, Cristo foi nossa Redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária, é nosso repouso e consolação.

Última vinda de Jesus

    “Mas, para que ninguém pense que é pura invenção o que dissemos sobre esta vinda intermediária, ouvi o próprio Senhor: Se alguém me ama, guardará minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele (cf. Jo 14,23). Lê-se também noutro lugar: Quem teme a Deus, faz o bem (Eclo 15,1). Mas vejo que se diz algo mais sobre o que ama a Deus, porque guardará suas palavras. Onde devem ser guardadas? Sem dúvida alguma no coração, como diz o profeta: Conservei no coração vossas palavras, a fim de que eu não peque contra vós (Sl 118,11).

    “Guarda, pois, a palavra de Deus, porque são felizes os que a guardam; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo de tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costumes. Alimenta-te deste bem e tua alma se deleitará na fartura. Não esqueças de comer o teu pão para que teu coração não desfaleça, mas que tua alma se sacie com este alimento saboroso.

    “Se assim guardares a palavra de Deus, certamente ela te guardará. Virá a ti o Filho em companhia do Pai, virá o grande Profeta que renovará Jerusalém e fará novas todas as coisas. Graças a essa vinda, como já refletimos a imagem do homem terrestre, assim também refletiremos a imagem do homem celeste (1Cor 15,49). Assim como o primeiro Adão contagiou toda humanidade e atingiu o homem todo, assim agora é preciso que Cristo seja o Senhor do homem todo, porque ele o criou, redimiu e o glorificará.”

    Nesta oitava de Natal – em que ainda sentimos misticamente as graças sensíveis desta primeira vinda –  imploremos a Deus, aos rogos de Nossa Senhora e São José, para que Jesus vindo uma segunda vez não encontre as portas do nosso coração fechadas.

Fonte: Dos Sermões de São Bernardo, abade In: Sermo 5, 1-3: Opera ominia, Edit. cisterc. 4 [1966], 188-190.

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Panetone – Conheça a história!

   22 de Dezembro de 2014

     Era noite de Natal, em Milão, governada pelo Duque Ludovico Sforza, famoso por ter uma das mais requintadas cortes da época. Sobretudo sua cozinha era muito renomada. Desde a tarde, suas chaminés exalavam perfumes maravilhosos, que estimulavam o apetite de toda a vizinhança. Desejando fazer uma ceia inesquecível, o cozinheiro-mor decidira preparar uma sobremesa especial: um fabuloso doce cuja receita os venezianos haviam trazido do longínquo Oriente.

    Afanava-se o mestre na elaboração de sua obra-prima e, ao mesmo tempo, orientava e fiscalizava os demais cozinheiros que se dedicavam a aprontar os inúmeros pratos do lauto banquete. Na grande cozinha, todos estavam tomados pela característica alegria do Natal italiano.

    Todos não… Isolado num canto, um jovem ajudante recém-chegado da Lombardia suspirava de saudades da casa paterna, recordando-se das festas natalinas realizadas nos lares camponeses de sua região, pouco favorecidos de recursos econômicos, mas ricos de vida familiar e amor ao maravilhoso.

    Levado por esses sentimentos nostálgicos, resolveu ele preparar um pão especial, como os que eram feitos por sua mãe na véspera de Natal. Não dispondo, porém, de todos os ingredientes necessários, teve de contentar-se com as sobras do material utilizado pelo cozinheiro-mor na elaboração da misteriosa sobremesa.

    Qual seria o resultado? Nem ele mesmo sabia…

    Uma vez iniciada a ceia de Natal, intensificou-se a atividade na cozinha, e o mestre cozinheiro esqueceu no forno o seu belo e misterioso doce… Enorme foi sua consternação ao constatar que ele havia queimado. Seu dourado sonho de um grande sucesso estava transformado na dura realidade de um vexatório fracasso, pois, como preparar em tão pouco tempo outra sobremesa especial? À vista desse desastre, não conseguiu conter algumas lágrimas.

    Tomado de compaixão, o jovem lombardo aproximou-se dele e lhe ofereceu os três grandes bolos que acabava de tirar do forno. Num piscar de olhos, o experiente cozinheiro notou a elegância de sua forma cilíndrica e percebeu que seu delicioso perfume deveria corresponder a um requintado sabor.

    Quem estava à mesa era o Duque Sforza com sua corte, ou seja, os mais exigentes comensais da Itália. Porém, não restava outra saída senão correr o risco. Tomou, pois, a decisão de servir como sobremesa aquela curiosa iguaria. Ele próprio se incumbiu de cortá-los caprichadamente em fatias e dispô- las de forma artística em bandejas de prata.

    Surpreenderam-se o Duque e seus convivas, ao verem aquele exótico bolo enfeitado por frutas cristalizadas e do qual se desprendia um convidativo perfume. Instintivamente, começaram a aplaudir, e num instante seu requintado sabor lhes havia conquistado o paladar. Sucesso completo!

    O Duque mandou vir à sua presença o autor daquela obra maravilhosa. Para surpresa de todos, não apareceu o afamado mestre, mas um tímido ajudante de cozinha.

    – Qual é teu nome? – Eu me chamo Toni…

    – Ora, então este é o Pane Toni! (o Pão do Toni).

    Deste modo, o Duque Ludovico Sforza batizou aquele curioso pão doce com o nome de Toni, seu criador. E determinou-lhe que preparasse outros iguais, em maior quantidade, no Natal do ano seguinte. Assim nasceu o panetone, por obra do acaso, aliás, como tantas maravilhas da arte culinária.

    Em pouco tempo, o “Pão do Toni” conquistou os lares italianos, e se espalhou pelo mundo inteiro, a ponto de ficar indissociavelmente ligado às festas natalinas.

Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Dez/2002 e Dez/2004, n. 12 e n. 36

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Antífonas do Ó – IV

Antífona de 20 de Dezembro

   O Clavis David et sceptrum domus Israel: qui aperis, et nemo claudit; claudis et nemo aperit: Veni, et educ vinctum de domo carceris, sedentem in tenebris et umbra mortis

   O Chave de Davi, que abre as portas do Reino eterno; oh vinde e livrai do cárcere o preso, sentado nas trevas.

Devemos fechar nossa porta para os pecados

 

   O nome de Jesus Cristo é o Desejado de todos os povos. Antes de ter vindo, fora desejado por todos os patriarcas e profetas; todos suspiravam: “Senhor, vede como Vos desejamos, vinde remediar-nos!” Fora desejado pela Santíssima Virgem e por todos. Ditosos os que Vos esperam, diz Isaías (30,18). Irmãos, se nessa semana vierem bater-vos à porta os pecados, não os recebais. Dizei-lhes: – “Saí daqui porque estou esperando um hóspede”. Quem está a espera de Deus colocou um grande freio na sua boca e nas suas obras. O que tens de fazer é suspirar por Deus: – “Senhor, só Tu és o meu bem e o meu descanso; falte-me tudo, mas não me faltes Tu; perca-se tudo, mas não Te perca a Ti! Ainda que queiras tirar-me tudo o que me queres dar, se me der a Ti, pouco me importa que me falte tudo”.

Cada um de nós temos um estábulo

   Confessai-vos, dai esmolas, desejai a Deus, suspirai por Ele de coração: – “Meu Deus, dentro da minha fraqueza, preparei-Vos a minha pobre casinha e estábulo; não desprezeis os lugares miseráveis, como não desprezastes o presépio e o patíbulo”. Ele quis nascer num estábulo para que, embora eu tenha sido mau e meu coração estábulo de pecados, confie em que não haverá de menosprezar-me. Senhor, embora eu tenha sido mau, preparei-me o melhor que puder; digo-vos cheio de vergonha: – “O meu estábulo está preparado; vinde, Senhor, que o estabulozinho está varrido e livre de pó.

A Mansidão de Deus

   Tempo houve em que este Menino, que agora não fala, falou, e quem o ouvia afligia-se. O Menino que acaba de nascer é o mesmo que, quando Adão pecou, lhe disse: “Onde estás Adão? (cf Gên 3,9) E foi tão forte essa palavra que Adão se escondeu para não ouvi-la; foi tão terrível, que o expulsou do paraíso terrestre.

   Apareceu a benignidade e a humanidade de Deus, nosso Salvador (Tit 3,4). Essa humanidade significa mansidão, como diz o mesmo Apóstolo em outro trecho: Vou-me servir de uma linguagem humana (Rom 6,19). Significa, pois, que apareceu a mansidão de Deus. Bem aventurado dia em que apareceu a mansidão de Deus Pai e de Deus Filho e de Deus Espírito Santo: a carne de Cristo na terra!

E o menino não fala

   Menino bom, não falais? Para que tanto silêncio? O Menino cala-se para te dar a entender, pecadorzinho, que, embora tenhas cometido pecados, não te chamará à sua presença como fez com Adão, não te assustará nem te repreenderá. Encontrá-lo-ás tão mudo para repreender como agora para te falar.

   Haverá alguém mais fraco e incapaz de fazer o mal do que um menino? Desde quando uma criança de dias esbofeteou ou matou alguém? Não há nada que cause menos temor do que um recém-nascido. Pois este é o mistério que celebramos nesta festa, não como as pessoas mundanas, mas em espírito, como Ele próprio disse: como verdadeiros adoradores em espírito e verdade (cf. Jo 4,23).

   Esta é a Divindade que, sem armas, diz: – “Não te farei mal, pecador, aproxima-te de mim. Do mesmo modo que não deves fugir de uma criança não deves fugir da minha Divindade. E como no meu corpo vês mansidão, igualmente deves vê-la na minha Divindade” Esta é a grandeza de Deus: tal como aparece externamente, assim é interiormente, tão manso e tão misericordioso. Bendito seja esse Deus e bendita seja a sua misericórdia que a este dia nos deixou chegar, o dia da mansidão e da misericórdia de Deus.

Fonte: O presente texto foi extraído do livro, O Mistério do Natal – São João de Ávila, Editora Quadrante, São Paulo, 1998

 

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Singelo ato de afeto: cartões de natal

16 de Dezembro de 2013

Aproximam-se as festividades de Natal e ainda não decidimos como presentear as pessoas que mais estimamos. A escolha de um presente ideal é realmente uma dúvida cruel. “Será que ele já tem isso?”, “Será que ela vai gostar daquilo?” São perguntas que nos vem à mente durante o crucial momento da compra.

Entretanto, após séculos de cristandade, os homens desenvolveram um salutar método de se congratularem  por ocasião do nascimento do Menino Deus, redentor da humanidade: os cartões de Natal!

É realmente o presente ideal! Simples, barato e que agrada a todos os gostos.

Mas, como surgiu essa brilhante ideia de enviar versos como singelo ato de afeto para os parentes e amigos? Quem iniciou este agradável costume de rogar bênçãos e desejar prosperidade para o próximo neste mundo tão cheio de intrigas e invejas?

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Os cartões de Natal são atualmente uma parte não essencial das festas. No entanto, eles têm pouco mais de cem anos de idade. No final do século XVIII e princípio do século XIX, existia um costume agradável, se bem que não universal, de se enviar versos de cumprimentos, frequentemente compostos pelo remetente, aos amigos por ocasião do Natal, ou em outras grandes ocasiões. Para esta finalidade, usavam-se folhas de papel, especialmente preparadas, com bordas e cabeçalhos impressos. Folhas semelhantes, mas menos enfeitadas, eram usadas por alunos para os “textos de Natal”, dados aos seus pais, no final do período de aulas. Estes textos consistiam de duas ou três frases, escritas com muito cuidado, que serviam tanto como votos de festas como prova de progresso na arte da escrita, sendo que este último aspecto era o mais importante do ponto de vista dos professores. Folhas de papel ornamentado para estas duas finalidades eram vendidas em quantidades consideráveis na primeira metade do século passado e, aparentemente, foi destas folhas que o verdadeiro cartão de Natal, com uma mensagem impressa e com seus efeitos pictóricos, se desenvolveu.

Várias pessoas disputaram a honra de terem inventado esta nova forma de cumprimentos. Mas, um menino inglês, chamado Willian Egley, pode ter desenhado o primeiro cartão de Natal, em 1842. Este cartão está exposto no museu Britânico, mas sua data não é suficientemente clara para se saber se o último número é um 2 ou um 9. Edward Bradley, um clérigo inglês de Newcastle, enviou cumprimentos litogravados em 1844, e neste mesmo ano W. A. Dobson, diretor da Escola de Desenho em Birminghan, usou cartões pintados à mão para os seus amigos¹.

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Esta prática jamais deve ser extinta dos espíritos cristãos. Conforme nos conta Tertuliano (Apolog. 39), os primeiros cristãos tomavam tão a sério as palavras do Senhor, registradas por João Evangelista, – “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35) – que as outras pessoas e grupos exclamavam admirados: “Vede como eles se amam!”.

Demonstre seu afeto enviando um belo cartão de Natal para as pessoas que você gosta, ou melhor, tente enviar um cartão para aquelas pessoas que você tem mais dificuldade no relacionamento. Desejar-lhe um “Feliz Natal” não seria nada mau…

 ¹Fonte: O Estado de São Paulo: Suplemento de Turismo nº 914. 16/12/1983. p.12.

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