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Gaudete!

12 de Dezembro de 2013

Os mais variados sentimentos são representados no decorrer de todo o ano através das fórmulas litúrgicas. Um dos mais abundantes é a alegria. Tema este que tem seu lugar próprio nos domingos que seguem a Ressurreição e nos dias santos de Natal. Entretanto, como antecipação de ambas as alegrias aparecem o quarto domingo da quaresma (chamado Laetare) e o terceiro do Advento, ou Gaudete. Para estes dois dias, a Igreja reserva os paramentos de cor Rósea. Não são brancos pois não é ainda aquela alegria anunciada pelos sinos que repicam e pelo Glória que se canta.

Tanto no Domingo Laetare, quanto no Gaudete, a Liturgia quer que em meio à austeridade e rigor do advento (e da quaresma, no caso do quarto domingo deste tempo litúrgico) haja um dia de descanso, para que assim, depois dele, venha um período de maior fervor na oração e na penitência. Seu nome vem da antífona de entrada da missa que é um trecho da carta de São Paulo os filipenses: “Gaudéte in Dómino semper: íterum dico, gaudéte. Dóminus enim prope est”. – “Alegrai-vos sempre no Senhor: repito, alegrai-vos. O senhor está próximo”. (Fil 4,4)

Duas figuras antagônicas

São Paulo, preso em Roma, exorta à alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor, eu repito, alegrai-vos. Que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens! O Senhor está próximo! Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus”. (Fil 4,4-7)

“Guadete”. Todo este trecho da epistola nos revela o coração do Apóstolo tomado de um grande júbilo. Ele não é natural, mas sim, sobrenatural, divino. Amarrado na prisão, sujeitado dia e noite a um soldado romano, privado da liberdade e da luz, não tem motivos humanos para se alegrar.

Junto à figura de São Paulo podemos colocar a do poeta Ovídio que no ano IX foi desterrado para Tomi (junto ao mar Negro). Ali ele escreve os cinco livros “Tristia” e os quatro “Ex Ponto”, onde manifesta a amargura que consome seu coração. O poeta acaba morrendo no ano 17. Tanto ele quanto o Apóstolo sofrem. Enquanto Ovídio escreve “Nihil nisi fiere libet” (nada espero de melhor), o outro exclama “Gaudete in Domino semper” (Alegrai-vos sempre no Senhor).

Os Paulos e Ovídios de hoje

As duas figuras representam dois tipos de pessoas na humanidade: as que se desesperam quando sofrem e aquelas que no sofrimento encontram alegria. Qual a causa desta dupla reação? Não sofrem os dois?

O cristianismo trouxe a verdadeira causa da alegria: Cristo. Paulo se alegra na prisão porque está com Cristo; enquanto que Ovídio morre de tristeza no desterro porque carece Dele. Paulo confia na providência de Deus cegamente “não está inquieto”. É um homem de oração e justamente com suas ações de graças apresenta a Deus suas petições. Por isso Paulo sente a paz de Cristo encher seu coração e sua inteligência. Enquanto que Ovídio…

O segredo: a Alegria

O escritor Chesterton tem um frase que bem pode ser aplicada a esta epístola: “A alegria é o gigantesco segredo do cristianismo”. É o resultado normal de uma vida espiritual em progresso. Somente almas como as de Paulo, cheias de Cristo, abandonadas em Deus, em constante equilíbrio interior, que são de oração constante, possuem o segredo da alegria.

É Bergson quem diz que “A alegria anuncia sempre que a vida triunfou, que ganhou terreno, que conseguiu uma vitória”. Do mesmo modo, a Alegria do católico indica que ele cresce na vida divina e de que ela triunfa sobre todas as adversidades que rodeiam a vida do homem.

O senhor está próximo

“Dominus prope”. Esta esperança era para os primeiros cristãos poderoso motivo que lhes impulsionava a serem bons, indulgentes, alegres… Nossa esperança em Cristo, que há de vir, é também motivo de alegria. Ignoramos quando este dia chegará. Sabemos que será logo pois “mil anos para Vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou” (Sl 89,4)

O Senhor está próximo, Nasce misticamente e liturgicamente no Natal.

O Senhor está próximo, Está no sacrário, na eucaristia que é sempre motivo de alegria para as almas que se aproximam dele. O Sagrado Coração de Jesus em uma de suas aparições disse a Soror Josefa Menendez: É por amor às almas que sou Prisioneiro na Eucaristia. Ali permaneço para que possam vir com todas as suas mágoas consolar‑se junto do mais terno e melhor dos pais e do Amigo que nunca as abandona. A Eucaristia é invenção do Amor!… E este amor que se esgota e se consome pelo bem das almas não encontra correspondência!… 

Então… alegremo-nos, o Senhor está próximo… mais do que imaginamos!!!

Fontes consultadas:
ORIA, Mons. Angel Herrera, VERBUM VITAE – La Palavra de Cristo, Vol I, BAC, Madrid, 1954
Pe. H. Monier Vinard e Pe. F. Charmot, S.J., Apelo ao amor, mensagem do Coração de Jesus ao mundo e sua mensageira Soror Josefa Menéndez, Editora Rio-São Paulo, Rio de Janeiro, março de 1963.

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A tristeza é boa ou má?

Sinais da boa e da má tristeza segundo São Francisco de Sales

Fonte: Pe. Joseph Tissot, A arte de utilizar as próprias faltas. Rio de Janeiro: Missionários de São Francisco de Sales, 1938.

         “São Paulo diz que >a tristeza que é segundo Deus, produz a penitência para a salvação, a tristeza do mundo produz a morte. A tristeza pode, portando, ser boa ou má, conforme as disposições que produz em nós. É bem verdade que ela mais freqüentemente produz efeitos maus que bons, pois os bons são não mais que dois: a misericórdia (o pesar pelo mal que outros sofrem) e a penitência (a dor de ter ofendido a Deus), enquanto que os maus efeitos são seis: a angústia, a preguiça, a indignação, o ciúme, a inveja e a impaciência.

        Isso fez dizer o Sábio: >A tristeza mata a muitos, nela não há proveito, porque ao lado de dois regatos de águas cristalinas que brotam da fonte da tristeza, nascem outros seis de águas poluídas”.

        O demônio se esforça, portanto, para produzir essa má tristeza. Com o objetivo de conseguir desanimar e desesperar a alma, procura primeiro perturbá-la. E não lhe custa muito sugerir pretextos para isso: não deveríamos, então, afligir-nos por ter ofendido a Soberana Majestade, por ter ultrajado a infinita Beleza e ferido o Coração do mais terno dos pais?

        “De certo”, responde-nos São Francisco de Sales, “devemos nos entristecer, mas com  verdadeiro arrependimento, e não com uma dor mal-humorada, feita de despeito e indignação. Ora, o verdadeiro arrependimento é calmo, como todo  sentimento inspirado pelo bom Espírito: Non in commotione Dominus, >o Senhor não está na perturbação. Onde começa a haver inquietação e perturbação, a boa tristeza é substituída pela má.

        “A má tristeza” — continua nosso Santo — “deprime e perturba a alma, incute-lhe inquietação e exagerados temores, tira-lhe o gosto pela oração, arrefece e acabrunha a mente, impede-a de tirar proveito dos bons conselhos, priva-a de resolução, de discernimento e de coragem, abate-lhe as forças. Em uma palavra, é para a alma como um rigoroso inverno que tira toda a beleza da terra e imobiliza  todos os animais, pois priva a alma de toda a suavidade e paralisa todas as suas faculdades”.

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